Certos Dias

Tem dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu, acho saudável até. O problema é quando os dias viram semanas, meses...
No mundo contemporâneo, com seus dias neobarrocos, a melancolia é mola propulsora de muitas introspecções e buscas tresloucadas para as respostas individuais, buscando, na verdade, respostas para as aflições coletivas. Quanto a isso, cada vez mais acredito que grandes transformações só acontecem a partir de “pequenos” atos de coragem e mudanças particulares.
Mas enfim, num destes momentos, recebi um texto intitulado “A pipoca”, de Rubem Alves. Levei um tempo pra ler, pois, além de ser um texto (mais ou menos) de auto-ajuda, vocês sabem, em momentos assim, tudo o que menos queremos ler é algo que nos faça remexer na ferida já exposta.
Dentre outras coisas o texto afirma:
“Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível”, como por exemplo a feitura deste texto.
“a pipoca é a comida sagrada do Candomblé”, nada mais poético e brasileiro.
“os grãos duros quebra-dentes se transformam em flores brancas e macias, até as crianças podiam comer”
e conclui pra o meu assombro:
“O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.”
Confesso: essa conclusão, não só machucou as feridas já existentes, mas também abriu outras. Sei lá, certo dia um amigo disparou que eu sou “muito sugestionável”, mas não consegui passar por este texto sem marcas pra mim.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro."Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.Portanto, chega de ficar culpando o universo ao nosso redor, pelas nossas falhas e faltas, principalmente conosco mesmos. Entremos mais no nosso infinito particular e fiquemos mais perto do fogo!!!
Na beira do abismo é que criamos asas!!!
[Jesus disse: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á".A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...] Será?
No mundo contemporâneo, com seus dias neobarrocos, a melancolia é mola propulsora de muitas introspecções e buscas tresloucadas para as respostas individuais, buscando, na verdade, respostas para as aflições coletivas. Quanto a isso, cada vez mais acredito que grandes transformações só acontecem a partir de “pequenos” atos de coragem e mudanças particulares.
Mas enfim, num destes momentos, recebi um texto intitulado “A pipoca”, de Rubem Alves. Levei um tempo pra ler, pois, além de ser um texto (mais ou menos) de auto-ajuda, vocês sabem, em momentos assim, tudo o que menos queremos ler é algo que nos faça remexer na ferida já exposta.
Dentre outras coisas o texto afirma:
“Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível”, como por exemplo a feitura deste texto.
“a pipoca é a comida sagrada do Candomblé”, nada mais poético e brasileiro.
“os grãos duros quebra-dentes se transformam em flores brancas e macias, até as crianças podiam comer”
e conclui pra o meu assombro:
“O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.”
Confesso: essa conclusão, não só machucou as feridas já existentes, mas também abriu outras. Sei lá, certo dia um amigo disparou que eu sou “muito sugestionável”, mas não consegui passar por este texto sem marcas pra mim.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro."Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.Portanto, chega de ficar culpando o universo ao nosso redor, pelas nossas falhas e faltas, principalmente conosco mesmos. Entremos mais no nosso infinito particular e fiquemos mais perto do fogo!!!
Na beira do abismo é que criamos asas!!!
[Jesus disse: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á".A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...] Será?