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quinta-feira, março 01, 2007

UM EM VÃO, OUTROS EM VÊM

Tentei impassível adentrar, à praça da alegria, como se ali fosse lugar qualquer por onde se passava pra se chegar a um destino, como antes, na verdade, quando estudante era. Eu pouca gente conhecia, passava indiferente, como agora tentava, e indiferente se me mostravam todos, coisa natural, só mais um que por ali transitava e ia para a próxima aula na sala 511.
Não deu.
Logo que vi aquele povaréu, aquele vozeiral, aquela agitação, lembrei-me que ali não era mais lugar de mim. Havia se cumprido um ciclo, e o que fazer, senão aceitar?
Logo na chegada ao portão principal da universidade, fluxo de pessoas invadindo o campus, livros sob os sovacos e nas mãos, gente andando em grupo, conversando, doeu. Bateu saudade, lembranças de quando assim também fazia. Lembrei-me do primeiro dia, e de tudo o que me esperava, e do desejo de logo cumprir a missão. Sou assim, que fazer? A universidade se renova, senti-me parte do ciclo, fruto que já ficou maduro e foi tirado do pé.
Decidi, por enquanto – assim espero, pois pretendo retornar – distanciar-me daquele mundo, cair no ‘mundo’, enquanto que alguns colegas do curso continuaram numa outra habilitação – francês ou inglês.
Dez anos de universidade (ufa! Muito tempo), eu já não agüentava mais ficar tanto tempo sentado naquelas cadeiras duras de sala de aula. Já era chegada hora de parar com a insanidade de pular de curso em curso, como um macaco se fazendo de homo sapiens, ou o contrário. Como diz a canção, saí, “para ver outras paisagens”: “agora é brincar de viver”.
Em cada rosto conhecido naquela multidão, abraços e apertos de mãos. Saudade de uma conversa mais longa, de contar do dia. Hoje, é um como está? Fazendo o quê? Até logo, que temos aula. Essas coisas. Velocidade, rapidez, tempo a perder.
Logo resolvi o que lá tinha ido fazer, coisa rápida. E às sete horas, eu, tomando o rumo de casa, enquanto, do outro lado da pista, um turbilhão de gente indo para de onde eu saía... Não houve como não sentir ser diferente e solitário naquela caminhada às avessas.
Daí, percebi que a saudade em mim teria abrigo, pelo menos naquela noite. Não dormi naquela noite, como acontece quando revejo meu passado gravado no contato com pessoas de outras datas. O passado me é caro, não luto mais contra isso, sou resistente às mudanças, sei. Saudade das aulas de literatura; das conversas fofocadas sobre professores e colegas; da hora de se arrumar e enfrentar a noite numa sala de aula depois de um dia cheio; saudade até da indiferença de todos da praça da alegria, e de minha indiferença.

3 Comentários:

Blogger Márcia Leite disse...

Pôôxa Léo, traduzisse todo o sentimento! Com o fim do curso, cursando poucas cadeiras e indo com menos freqüência à universidade também estou sentindo isso... só que mais aberta para o que está por vir! Nossa, adoro tua escrita.. tuas idéias jogadas na tela. Abraço pra tu, menino do rio!

4:47 AM  
Anonymous Leo disse...

Xiii, fazer um blog coletivo dá nisso. A Marcinha pensou que o texto havia sido escrito por mim. rsrs

Mas até que poderia mesmo. Confesso, Jansen, que ainda não sei o que comentar, pois, desde o fim do curso, reluto em escrever algo sobre. Foi foi pontual e eu, com enfoques talvez diferentes, identifico-me completamente com tuas palavras.

Tá bom né? Já rolou lágrimas demais.

Abração, meu querido amigo.

12:08 PM  
Anonymous Jânsen disse...

Márcia, finalmente aconteceu o que esperávamos desde o início do blog (acho que Léo e Silvia também pensam assim. Quando decidimos não assinarmos os textos, era justamente para que o texto fosse do blog, e não de um de nós três. Apesar de o texto ter uma autoria una, na verdade, ele é do blog.
Tive uma grata surpresa com teu comentário, pois era isso que esperávamos: confusão. heheheh!!!
abraço!!

3:15 PM  

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