O tempo não pára...

Esta semana eu vi a cara da morte e, como acertadamente disse o poeta, ela estava viva – olhos arreganhados pra mim, vindo na forma de um infarto fulminante para alguém muito importante. Alguém que foi dormir feliz, segundo a família, e não acordou mais neste plano da vida.
Eu já havia “perdido” importantes pessoas (avós / avôs / tia / amigos...), mas nunca alguém com quem tivesse tanta intimidade, por isso a dor tão grande. Falo da intimidade de dividir cama e leito, coisas diferentes mas que, contemporaneamente, com o sexo vivido apenas com a cabeça de baixo, parecem não fazer mas sentido. Talvez eu viva mesmo no “tempo da delicadeza”, como afirma meu parceiro.
No momento exato da notícia pensei que fosse morrer junto, eu quis isso. Não achei justo, me senti culpado e inútil, seja pela distância física entre nós, seja porque quem decidiu por uma separação, quando ela ocorreu, tivesse sido eu. Depois de muito chorar e sentindo a força do amor dos amigos, me refugiei na casa de um amigo-irmão. Lá senti, entre outras coisas, que cada um faz as escolhas dentro do livre arbítrio que Deus nos dá ao nascer. Isto, dito agora, assim, pode parecer frio, mas preciso e tenho tentado viver meu “luto” de forma a emitir para ele toda energia positiva que ele precisa, neste momento, sem pessimismo, fazendo assim sua transição entre os dois planos.
Mas foi exatamente no fim da tarde, quando deixei a casa acolhedora do meu amigo, que comecei a observar o mundo ao meu redor. O ônibus lotado, pessoas saindo do trabalho, outras indo para a escola... Percebi alí que o tempo não pára, a vida é fria e crua, pois, enquanto minhas lágrimas rolavam, as pessoas sorriam e seguiam em frente. Tive raiva! Meu egoísmo esperava que todo o mundo sentisse a minha dor. Mas entendi também que não é assim que a máquina do mundo funciona, Deus criou o homem para dar sentido às suas outras criações. É uma pena nós não entendermos isso e vivermos “de qualquer jeito”. Precisamos parar de perder tempo tentando provar para os outros o que somos, ou o que é pior, o que não somos.
De mim, não esqueço de minha mãe abraçada comigo e dizendo “tenha força, eu preciso de você”, não sabe ela o quanto eu preciso dela também! Aquilo, de uma certa forma, (re)significou nossos laços. Ela tem velado meu sono; meu irmão, depois de chorar escondido (eu vi) tem feito de tudo também. Agora entendo porque voltei a morar com eles, eu, conhecendo-me como conheço, não suportaria que isso acontecesse ao meu lado, sim, pois isso iria ocorrer a qualquer momento, pois ele já vinha doente.
Enfim, por mais que eu escreva aqui, jamais as palavras abrangerão todo o sentimento. Como disse outro poeta, "eu morro ontem / nasço amanhã" e eu preciso aprender a (re)significar meus sentimentos. Estou tentando e vou conseguir, preciso conseguir pois o tempo não pára...
PS: Sílvia, sei que os blogs são públicos, e entendi sua discrição, mas eu não poderia deixar isso passar em branco. Branco será apenas o símbolo da paz que sempre desejei e desejarei pra ele.
Eu já havia “perdido” importantes pessoas (avós / avôs / tia / amigos...), mas nunca alguém com quem tivesse tanta intimidade, por isso a dor tão grande. Falo da intimidade de dividir cama e leito, coisas diferentes mas que, contemporaneamente, com o sexo vivido apenas com a cabeça de baixo, parecem não fazer mas sentido. Talvez eu viva mesmo no “tempo da delicadeza”, como afirma meu parceiro.
No momento exato da notícia pensei que fosse morrer junto, eu quis isso. Não achei justo, me senti culpado e inútil, seja pela distância física entre nós, seja porque quem decidiu por uma separação, quando ela ocorreu, tivesse sido eu. Depois de muito chorar e sentindo a força do amor dos amigos, me refugiei na casa de um amigo-irmão. Lá senti, entre outras coisas, que cada um faz as escolhas dentro do livre arbítrio que Deus nos dá ao nascer. Isto, dito agora, assim, pode parecer frio, mas preciso e tenho tentado viver meu “luto” de forma a emitir para ele toda energia positiva que ele precisa, neste momento, sem pessimismo, fazendo assim sua transição entre os dois planos.
Mas foi exatamente no fim da tarde, quando deixei a casa acolhedora do meu amigo, que comecei a observar o mundo ao meu redor. O ônibus lotado, pessoas saindo do trabalho, outras indo para a escola... Percebi alí que o tempo não pára, a vida é fria e crua, pois, enquanto minhas lágrimas rolavam, as pessoas sorriam e seguiam em frente. Tive raiva! Meu egoísmo esperava que todo o mundo sentisse a minha dor. Mas entendi também que não é assim que a máquina do mundo funciona, Deus criou o homem para dar sentido às suas outras criações. É uma pena nós não entendermos isso e vivermos “de qualquer jeito”. Precisamos parar de perder tempo tentando provar para os outros o que somos, ou o que é pior, o que não somos.
De mim, não esqueço de minha mãe abraçada comigo e dizendo “tenha força, eu preciso de você”, não sabe ela o quanto eu preciso dela também! Aquilo, de uma certa forma, (re)significou nossos laços. Ela tem velado meu sono; meu irmão, depois de chorar escondido (eu vi) tem feito de tudo também. Agora entendo porque voltei a morar com eles, eu, conhecendo-me como conheço, não suportaria que isso acontecesse ao meu lado, sim, pois isso iria ocorrer a qualquer momento, pois ele já vinha doente.
Enfim, por mais que eu escreva aqui, jamais as palavras abrangerão todo o sentimento. Como disse outro poeta, "eu morro ontem / nasço amanhã" e eu preciso aprender a (re)significar meus sentimentos. Estou tentando e vou conseguir, preciso conseguir pois o tempo não pára...
PS: Sílvia, sei que os blogs são públicos, e entendi sua discrição, mas eu não poderia deixar isso passar em branco. Branco será apenas o símbolo da paz que sempre desejei e desejarei pra ele.